FRACASSO ESCOLAR: DE QUEM É A “CULPA”?

FRACASSO ESCOLAR: DE QUEM É A “CULPA”?

Ivanilde Moreira

A temática do fracasso escolar ocupa atualmente as preocupações dos órgãos oficiais, dos especialistas em educação, das famílias e de vários segmentos da sociedade. Há tempos que políticas públicas e reformulações pedagógicas vêm sendo implantadas com o intuito de “solucionar” esse grave problema social.

De acordo com indicadores nacionais recentes, das crianças em idade escolar, 3,6% ainda não estão matriculadas. Entre aquelas que estão na escola, 21,7% estão repetindo a mesma série, apenas 51% concluirão o Ensino Fundamental, fazendo-o em 10,2 anos em média. Além disso, em torno de 2,8 milhões de crianças de sete a 14 anos estão trabalhando e cerca de 800 mil dessas crianças estão envolvidas em formas degradantes de trabalho, inclusive a prostituição infantil. Ainda de acordo com pesquisas feitas pelos órgãos competentes, o aluno brasileiro (tanto o da escola pública quanto o da escola particular), é um dos piores do mundo em desempenho escolar, sendo que as fragilidades de sua formação estão nas áreas de raciocínio lógico-matemático, leitura/escrita e geometria.

As manchetes dos jornais  não param de escancarar essa dura realidade:

“Quase metade dos alunos brasileiros de 15 anos não atinge nível básico de leitura no Pisa” (UOL, 9/12/2010 – 10h01)

Ao refletirmos sobre esses dados tão desastrosos, uma pergunta emerge, de forma inevitável: “De quem é a culpa”? Fica fácil apontar “culpados” e cair na tentação de elaborar respostas superficiais e simplistas para um problema tão complexo e multifacetado, por isto, é necessário que a questão seja analisada sobre uma ótica transdisciplinar  e complexa. No lugar da palavra “culpa”, portanto, seria mais prudente, adotarmos a palavra “responsabilidade”. Todos temos responsabilidades sobre o problema do fracasso escolar: o estado. a família, a escola, os educadores e a própria sociedade, de maneira geral.

O Estado, por não administrar de maneira mais eficiente e menos corrupta, os recursos financeiros destinados à educação e por impor “novidades” pedagógicas de maneia autoritária e desastrosa sobre os educadores e às escolas.

A família, por não compreender exatamente o seu papel de provedora e autoridade na vida dos filhos; por delegar às escolas e aos seus profissionais, funções que não são deles e sim suas; a escola ensina, a família educa. São papéis e funções distintas, mas que infelizmente nem sempre ficam claras para os pais.

Além de transferir suas responsabilidades para os agentes escolares (e muitas vezes, paradoxalmente, não aceitar as suas intervenções e encaminhamentos) a família ainda se entrega quase que totalmente aos caprichos e desejos dos filhos, pois teme perder seu amor e estima, fazendo nesse caso, um jogo de “amizade”  problemático com crianças e adolescentes, delegando muitas vezes a eles, a responsabilidade por sua própria formação moral e intelectual.

Os educadores, por desatualizarem-se intelectualmente e envelhecerem suas cabeças de forma veloz  e cruel, ainda não perceberam que o mundo mudou e que a escola que os formou é uma roupa velha e desajustada, que não serve mais para ninguém.

Faltam leituras, estudos, autonomia intelectual e a presença de uma ação pedagógica cotidiana mais reflexiva (científica) e ética.

É necessário que se tenha a compreensão de que as “ferramentas” necessárias para enfrentar o fracasso escolar, não virão dos “deuses astronautas”, mas sim de homens concretos (governantes, professores e pais), que na condição de líderes e educadores, serão os grandes protagonistas da transformação social.

Fracasso ou sucesso é resultado de escolhas. É mister que o estado, a família e os agentes escolares, reflitam sistematicamente sobre a favor de quem e contra quem estão, uma vez que suas escolhas andam comprometendo sobremaneira o destino de muitas crianças e jovens por esse país afora, e consequentemente, pondo em risco a possibilidade de um futuro mas promissor para a sociedade brasileira.

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5 respostas para FRACASSO ESCOLAR: DE QUEM É A “CULPA”?

  1. José Antonio de Souza disse:

    Excelente esta sua reflexão Ivanilde, pena que ainda não atinja os quatro cantos do pais.

  2. elidelma disse:

    educaçao esta melhorando mais muito para chegar a atingir todos os cantos dopais, e cabe a todos nos páis professores, e principalmente os governanates se doem nesta longa jornada ,…

  3. lourival (história) disse:

    Infelizmente, muitas pessoas não pensem da forma como voce, muito isenta, apesar de grande conhecimento na área tratou o assunto. A responsabilidade pelo “fracasso escolar” é da sociedade como um todo, passando inicialmente pela família, base do educando, pela falta de políticas públicas voltadas para uma boa educação e da reciclagem dos educadores que devem abandonar aquela postua retrógrada que alguns ainda insistem em manter. Parabéns,

  4. Caroline Rocha disse:

    A responsabilidade pelo fracasso escolar é da sociedade como de todo.Infelizmente, muitas pessoas nao pensam de forma como voce.O Fracasso ou sucesso é resultado de escolhas faltam leituras, estudos, autonomia intelectual e a presença de uma ação pedagógica cotidiana mais reflexiva (científica) e ética.

  5. Mikelle Lopes disse:

    É óbvio e indiscutível que a causa do fracasso escolar se atribui a esses componentes mencionados acima cada um com sua parcela de culpa não podemos apontar um culpado, oque não ajudaria em nada na relsolução dessa prrblemática que afeta e caótica a educação brasleira.

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