Soldado do exército espanhol resgata criança soterrada após 36 horas em escombros no Haiti (UOL – 15/01/2010)
IVANILDE MOREIRA
Nos últimos dias temos vivido momentos de muita comoção devido aos desdobramentos do terremoto que arrasou o Haiti no dia 12 de janeiro. Em períodos tristes e chocantes como esses, nossa sensibilidade aflora e junto com ela, precisamos deixar aflorar também a capacidade de análise crítica sobre as informações que recebemos da imprensa a todo momento. Surgem questões de toda natureza, desde as humanitárias até as políticas. Assistimos nesses momentos as investidas de governos, sociedade civil, instituições, enfim, parece que todo mundo “sai da toca” e resolve se manifestar. Não poderia mesmo ser diferente em função do tamanho da tragédia que se abateu sobre as cabeças dos haitianos e por extensão a muitas famílias de outras partes do mundo, como os militares, os políticos, os estudantes, os militantes religiosos que de alguma maneira estavam ou estiveram no país por ocasião do cataclisma. Em meio a todas essas ocorrências, sempre algo chama mais a nossa atenção, pois são tantas cenas, tantos personagens reais, inúmeras situações que relutamos em acreditar que de fato aquilo aconteceu. Em que pesem a tristeza e a melancolia decorrentes de tanto sofrimento humano, uma coisa me “alegra” em meio a tudo isso: saber que a palavra SOLIDARIEDADE ganha a notoriedade social que tanto merece e precisa. Há tempos não via esse substantivo aparecer com tanta insistência no discurso cotidiano de pessoas comuns e nos diferentes meios de comunicação. E ela aparece sobre as mais variadas formas, desde as mais equivocadas até as mais consistentes. Fico aqui imaginando qual seria o conceito, a ideia que as pessoas fazem da palavra SOLIDARIEDADE. Leio e releio os mais diferentes discursos em que ela está presente e reflito sobre as concepções a ela subjacentes nas interpretações e pensamentos das pessoas que a pronunciam. Apesar de ainda dispormos de poucos estudos acadêmicos sobre essa palavra tão atual, já é possível uma definição um pouco mais “científica” (ainda que embrionária). Podemos dizer nesses termos que solidariedade pode ser definida como ajuda desinteressada. Hugo Asmman e Jung Mo Sung, ambos teólogos contemporâneos, em sua obra “sensibilidade e competência solidária”, após fazerem um verdadeiro inventário das ocorrências dessa palavra em vários segmentos sociais (políticos, religiosos, institucionais, enfim), levam-nos à “definição” indicada acima. Diante disso, considerando essa definição como portadora de um valor de verdade significativo e olhando para as mais variadas manifestações mundiais nesse momento de tragédia haitiana, fico aqui a me perguntar quais delas poderiam ser de fato consideradas solidárias, isto é, desinteressadas. O que é ser solidário? Eis uma boa pergunta! Jung Mo Sung, num dos tantos escritos sobre o tema da solidariedade, afirma que “é no encontro face a face com o outro que se experiencia o mistério da gratuidade e que experiências marcantes como a da graça são fundamentais para dar sentido e alegria às nossas vidas”. Refletir sobre esse posicionamento do autor e olhar para a imagem da criança haitiana resgatada dos escombros, por um momento faz com que todos os questionamentos aqui levantados percam o sentido. O que fica é a imagem da beleza, leveza e transcendência advindas da expressão do soldado que, com alegria e satisfação, ampara a criança por ele resgatada, mostrando-nos (sem ter essa cosnciência e intenção) o quanto é maravilhoso experienciar os mistérios da gratuidade (graça). Em suma, a despeito do horror que ainda possamos ver daqui em diante enquanto durar o drama do povo haitiano (e obviamente o interesse da mídia sobre o assunto), que essa imagem possa nos sensibilizar sobre as dores do outro e nos mostrar o quanto ainda precisamos aprender sobre a solidariedade (em termos teóricos e práticos).

Oi, Iva:
Palavras sentidas…
Penso que parte considerável do educador é ensinar a sentir…
Vc é uma educadora “por coração”.
Beijos.
A espécie humana é uma só. Diversa, sim, mas uma só. Haitianos, brasileiros, europeus… Nascermos a mil quilômetros de distância uns dos outros ou com a cor da pele diferente não anula a unidade da espécie. Somos filhos da mesma mãe, a Terra, e talvez o sentimento que chamamos solidariedade seja justamente a lembrança atávica desse fato e, por consequência, sua conclusão: somos todos da mesma família. Parabéns pelo texto, Ivanilde.
Lindo texto. Muito sensível. Parabéns.
Olá,Tia.
Bom,se todas pessoas fossem como a senhora com certeza tudo seria melhor.
Eu espero um dia que meu blog fique pelo menos parecido com o blog da senhora,incrível.Eu irei sempre dar um pulinho aqui para sempre estar absorvendo coisas novas,para que eu possa estar adiquirindo mais conhecimento e idéias que são encontradas aqui neste blog.
Muito bom mesmo,fiquei ainda mais motivada em seguir em frente no que eu gosto de fazer, que é ajudar.
Parabéns,a senhora é muito talentosa.
beijos.