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Ninguém dá o que não tem!

Não adianta pedir coragem ao covarde, compaixão ao cruel, solidariedade ao egoísta, gratidão ao ingrato, ética ao desonesto, consciência cidadã ao alienado, justiça ao injusto, sensibilidade ao insensível, ou coisas do gênero.

Esse pensamento, a princípio pessimista e “sedutor”, leva-nos à ideia distorcida (diria até, perigosa!) de que o ser humano não tem mais “conserto”.

Se nos entregarmos apressada e irrefletidamente a ele, deduzimos sem muito esforço que nada mais há a fazer.

Para fugir dessa “armadilha”, penso que talvez  possamos fazer dois “caminhos opostos” (à moda hieracliana), abrindo-nos a uma breve reflexão:

Um deles é cada um procurar ser coerente consigo mesmo, dando de si, ao próximo, tudo  o que percebe como falho nele, agindo “graciosamente” com alteridade, sem esperar retornos; parafraseando a Madre Teresa de Calcutá, todo o bem que puder fazer ao outro, ainda que sem reconhecimento, faça, porque no fim das contas verá que não é nada entre você e ele, mas sim, entre você e Deus.

O outro seria apostar na educação das novas gerações (como venho fazendo há duas décadas de militância); apostar na possibilidade das coisas não serem como são, como nos ensina Paulo Freire, ou ainda nos apoiar nas sábias palavras de Régis de Morais “é preciso viver-se a esperança dialética, sabendo que no futuro residem todas as possibilidades, as boas e as más, e que aquilo que há de vir depende das ações humanas que preparam esse futuro”.

Enfim, em tempos de Big Brother, Lindendergs, corrupções no meio político, estatísticas educacionais desastrosas, desamores e falta de humanidade, o que nos “salva” é a possibilidade de sonhar e agir enquanto podemos.

É não se omitir, com palavras e/ou ações.

E ver, para além das aparências!

Aprender e ensinar, continuamente!

Educar para transformar pessoas, lugares e paisagens, em seres e coisas melhores e aperfeiçoadas.

Acreditar no ser humano.

Dizer não ao inconformismo das coisas e pessoas serem como são!

Olhar para a linha do horizonte e não deixar de enxergar as utopias promissoras que atrás dela se escondem,  convidando-nos  para a lida cotidiana  e a magia do viver!

 

“Eu sinto o coração bater mais forte.

Quando o arco-íris posso ver.

Assim foi quando a vida começou,

Assim é agora quando adulto sou,

E assim será quando eu envelhecer…

Senão, melhor a morte!

O menino é pai do homem;

E eu hei de atar meus dias, cada qual,

Com elos da piedade natural”

(My heart leaps up , wordsworth, 1770-1850)

13.02.2012 – 06h00

Municípios não informam corretamente como gastam dinheiro da educação

Suellen Smosinski Do UOL, em São Paulo

Nas contas dos municípios – pelo menos no que se refere à educação – o detalhamento dos gastos é colocado de lado e as prestações de contas são mais relatórios que vão cumprir a burocracia que instrumento de gestão e planejamento. Essa é uma das conclusões que se pode tirar do estudo Perfil dos Gastos Educacionais nos Municípios Brasileiros, realizado pela Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação).

“Não dá para dizer que uma criança de educação infantil custa R$ 3,75 por ano, como fez uma prefeitura”, afirmou Cleuza Repulho, presidente da Undime. Numa prestação de contas no sistema federal de controle de gastos (o Siope – Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação), um secretário municipal informou esse valor.

Segundo o relatório da Undime, “não há controle prático sobre os gastos que efetivamente são registrados nos balanços contábeis como realizados para manutenção e desenvolvimento da educação”. Para se ter uma ideia, os municípios foram responsáveis por 39,1% das verbas investida no setor em 2009, contra 19,7% da União segundo um estudo publicado pelo Ipea no final do ano passado.

Por determinação constitucional, os municípios são obrigados a aplicar pelo menos 25% da arrecadação de impostos e transferências em educação.

Erro

A tentativa (frustrada) de levantar o perfil dos gastos educacionais dos municípios brasileiros fez a Undime perceber que muitas secretarias não informam corretamente os valores ao Siope e, portanto, ao MEC (Ministério da Educação). Os formulários deveriam ser preenchidos pelos secretários municipais de educação de cada cidade, mas o estudo concluiu que, muitas vezes, essa atividade é terceirizada para escritórios de contabilidade.

Não haveria problema se os gestores mantivessem controle sobre quanto e como é gasto o orçamento da educação. Com isso, os dados oficiais sobre os investimentos em educação acabam distorcidos. A situação fica mais delicada no contexto da tramitação do PNE (Plano Nacional de Educação) na Câmara dos Deputados, em que uma das principais disputas é justamente o percentual do PIB investido na área.

Diante das inconsistências observadas no sistema federal, a Undime entrou em contato com prefeituras de mil municípios para realizar um estudo próprio, porém, muitas delas não responderam ao questionário ou apresentaram dados imprecisos. A região Norte, por exemplo, ficou de fora da estimativa sobre gastos por aluno com creche e EJA (Educação de Jovens e Adultos) e o Estado do Amapá não teve nenhum questionário respondido. O estudo final contou com apenas 224 municípios, o que representa 22,4% da amostra inicial.
Para a presidente da Undime, “os prefeitos devem ter nos secretários de educação um parceiro que saiba gerir as verbas de acordo com a necessidade do município”. Ela também afirma que o problema principal não é gestão e sim a falta de recursos. “Quando a gente consegue concentrar dinheiro e esforços faz toda a diferença para a qualidade da educação”, disse.

Gastos por aluno

Com os dados disponíveis, a Undime concluiu que o Nordeste gasta 4,4 vezes menos que o Sudeste por aluno na creche. Já, no ensino fundamental, a primeira região gasta pelo menos duas vezes menos que a segunda. “Nenhuma criança pode ter a sorte ou o azar de nascer em um local onde o gestor seja mais ou menos comprometido com a educação”, afirmou Cleuza sobre as desigualdades apontadas no estudo.

Estimativa de valor por aluno das redes municipais por Região (ano de 2009)

Etapa/modalidade Brasil (R$) Norte (R$) Nordeste (R$) Centro-Oeste (R$) Sudeste (R$) Sul (R$)
Creche 5.144,09 Não informado 1.876,89 3.092,80 8.272,43 5.835,42
Pré-escola 2.647,10 1.710,27 1.531,56 2.384,12 3.757,21 4.461,54
Educação infantil 3.122,36 1.801,53 1.605,48 2.563,07 4.971,26 4.688,83
Fundamental – séries iniciais 2.815,46 2.554,90 1.948,80 3.048,21 3.649,11 3.586,73
Fundamental – séries finais 3.134,38 2.998,45 2.276,16 3.000,04 4.322,81 3.673,78
Ensino fundamental 2.937,65 2.676,69 2.034,89 2.987,51 3.897,77 3.582,99
EJA 1.881,95 Não informado 1.075,83 2.417,91 2.778,52 2.369,89

* Fonte: Banco de dados da pesquisa Perfil dos Gastos Educacionais nos Municípios Brasileiros – Ano base: 2009/Undime

http://educacao.uol.com.br/noticias/2012/02/13/municipios-nao-informam-corretamente-como-gastam-dinheiro-da-educacao.htm

Hoje me pus a pensar sobre a felicidade.

Já ouvi muitas vezes a expressão: “Não existe felicidade, o que existe são momentos felizes”.

Em outras situações também já me disseram que felicidade não existe mesmo, ou seja, acreditar na felicidade é delírio, é bobagem, enfim, é perda de tempo.

Depois de ler algumas coisas e refletir sobre elas, encontrei na revista “Direcional Educador” deste mês, um artigo do Nilson Machado, que sintetizo abaixo:

“A felicidade começa com a fé: na possibilidade da harmonia, na importância dos laços, na força da razão, no poder do sentimento, no sentido da vida, na transcendência e na justiça.

A felicidade realiza-se na ação: na semeadura de sonhos, no desejo com argumentos, na arquitetura de projetos, na paciência do planejamento, no respeito pelas circunstâncias, na humildade diante do inesperado.

A felicidade pressupõe o respeito pela vida, a responsabilidade pelo mundo, a fraternidade universal, a prevalência da verdade, e um reconhecimento sincero da necessidade do pouso entre a colheita e um novo plantio.

A felicidade não é como uma função constante, ou uma utópica planície: como um arquipélago de ilusões, ela vem e vai, conforma-se em picos e vales, atinge máximos e mínimos, sobrevive entre a tempestade e a bonança.

A felicidade não existe senão no encontro com o outro, na fusão de horizontes, no amor e na partilha de sonhos e projetos: como bem disse o poeta: “é impossível ser feliz sozinho”

(Nilson José Machado, professor e matemático – USP)

E também depois de ler o Nilson, recebo de presente no meu facebook o link abaixo, que além de me emocionar profundamente, vai ao encontro do que alguns dizem sobre a felicidade: a questão dos “momentos felizes”. Assim é! O video me provocou um estado de ótima felicidade! Que bom!

http://www.youtube.com/watch?v=Cp9MXiz8Pq4&feature=player_embedded

Ivanilde Moreira

 

“Existe algo que não é mencionado em nenhum manual; Platão já havia acusado como condição indispensável a todo ensino: o Eros, que é,  a um só tempo, desejo, prazer e amor; desejo e prazer de transmitir, amor pelo conhecimento e amor pelos alunos. O eros permite dominar a fruição ligada ao poder, em benefício da fruição ligada à doação. É isso que, antes de tudo mais, pode despertar o desejo, o prazer e o amor no aluno. Onde não há amor, só há problemas de carreira e de dinheiro para o professor; e de tédio, para os alunos. A missão  (de ensinar) supõe, evidentemente, a fé: fé na cultura e nas possibilidades do espírito humano. Portanto, é missão muito elevada e difícil, uma vez que supõe, ao mesmo tempo, arte, fé e amor” (Morin, 2003).

            Essa posição de Morin me remete à ideia de um professor como gestor de conhecimentos, que tem como características, entre tantas outras, a liderança, a responsabilidade, a autoridade, o carisma e a competência.

            A liderança de um professor poderia ser entendida e/ou definida de várias maneiras, mas prefiro defini-la como a capacidade de detectar as necessidades legítimas do aluno e não medir esforços para que tais necessidades sejam atendidas.

            Necessidades legítimas são aquelas que no momento da interação, o aluno deixa explícitas, indo desde as fisiológicas até as cognitivas e/ou emocionais. Na condição de líder, o gestor de conhecimentos não fica indiferente a elas e se esforça para derrubar as barreiras que estejam impedindo o aluno de aprender.

            A responsabilidade do educador não se delega a ninguém! Cumprir com os deveres da profissão é uma das características mais marcantes do professor, principalmente nesses tempos em que a família passa por crise de autoridade e sem parâmetros claros de como encaminhar a educação dos filhos. O gestor de conhecimentos, guiado por princípios éticos, sabe vibrar com as conquistas da mesma maneira como, de cabeça erguida, reconhece o fracasso e o aceita humildemente.

            Um gestor de conhecimentos tem autoridade sobre processos e pessoas sem utilizar da força e persuasão. Arendt (2002) afirma que onde ambas prevalecem (força e persuasão), a autoridade falhou.

            O exercício da autoridade passa pela capacidade docente em reconhecer o fio tênue que delimita os territórios da opressão e o da argumentação e pela capacidade de posicionamento de lugares e papéis na interação social. Uma sala de aula, regida por um gestor de conhecimento, é um espaço para ricas trocas de informações e construção de conhecimento, numa relação professor aluno pautada no respeito e na clareza de posições de seus integrantes, sendo que ambos subordinam-se diretamente à figura e firmeza do educador.

            Atreladas a essas características, está o carisma docente. Para saber se um educador é carismático, basta que se busque em seus gestos, ações e palavras, o grau de verdade que ele coloca na interação com os alunos.

            Penso que a educação contemporânea está carente de líderes carismáticos, pois há muita hipocrisia no meio educacional. Uma vez que sabemos há muito tempo que as crianças aprendem aquilo que vivem, seria interessante e humanamente imprescindível que os educadores se posicionassem com mais carisma (verdade) diante de crianças e adolescentes.

            A competência é o conjunto de todas essas características; é algo que se constroi a vida toda. Ninguém nasce competente. Tornamo-nos  competentes à medida em que vivemos e interagimos com os outros.

            Ser um educador competente no século XXI é um desafio ímpar para aqueles que escolheram a docência como profissão, pois sua competência será forjada e estruturada num cenário tecnológico, veloz, multifacetado e extremamente dinâmico, como é o cenário desses tempos pós-modernos[1]

            Somadas a essas características contempladas no perfil do gestor de conhecimentos (o professor), está a competência (sensibilidade) solidária. Não podemos negar que o momento que vivemos é deveras complexo e difícil. A situação do professor está cada vez mais problemática, pois a sociedade tem cobrado muito e oferecido muito pouco a esse profissional. No entanto, para assumir uma profissão como essa, é preciso ter clareza de seus obstáculos e dificuldades, pois nem tudo é colorido no mundo de um educador.

            Buscar conhecer a comunidade onde está “plantada” a escola é condição necessária para o exercício da profissão docente. Além de tudo isso é preciso estudar sempre, e muito, e tanto quanto for necessário, para ter mais segurança no ofício.

            Síntese que nos auxilia ma compreensão daquilo que seria uma  interação professor aluno favorável à aprendizagem :

a)    diagnosticar inicialmente os conhecimentos prévios do aluno, aquilo que ele já sabe, já conhece, sendo o seu desenvolvimento real;

b)    da diagnose inicial, procurar pensar no que fazer para que ele melhore esse conhecimento;

c)    considerar os conhecimentos prévios do aluno e os conflitos cognitivos que ele enfrenta enquanto aprende;

d)    olhar os erros como possibilidade de entendimento daquilo que ocorre no pensamento do aprendiz e não como algo negativo a ser evitado;

e)    favorecer as trocas entre os alunos e entre professor aluno a fim de promover o encontro entre os estímulos do meio e as possibilidades de construção interna do aluno;

f)     ver a avaliação como momento privilegiado de aprendizagem, como um “mapa” que indica o caminho a ser seguido rumo à aprendizagem significativa e não como medida ou punição;

g)    ter vontade/desejo explícito de intervir no processo de aprendizagem a fim de ajudá-lo;

h)    tomar decisões sobre aquilo que o aluno tem que aprender e criar as condições favoráveis para que ele  aprenda;

i)      planejar sistematicamente as aproximações sucessivas entre o aluno e os objetos de conhecimento cuidando de garantir a sequência de atividades previstas na unidade didática;

j)      cuidar das mediações atuando com arte e técnica na zona de desenvolvimento proximal, pois é exatamente ela que delimita a margem de interferência da ação educativa;

k)    compreender que uma interação professor aluno favorável ao aprendizado independe de métodos específicos de ensino, pois a melhor ajuda pedagógica é aquela que se traduz em níveis distintos de ajuda e diretividade;

l)      considerar que existe diversidade entre os alunos, quanto às suas formas de aprender, pois cada um é único em relação a isso, portanto ao professor cabe diversificar os métodos de ensino.


[1] Cf. Bauman, 2001

REVISTA 1. O livro “Por uma vida melhor” foi alvo de muitas críticas, recentemente, por afirmar que o aluno pode sim falar de forma diferente ao que é estabelecido pela norma culta. A autora diz que, dependendo da situação, não há problema em cometer erros de concordância, desde que o aluno saiba usar a variante lingüística adequada para cada situação. Fazer esse tipo de afirmação em um livro didático, voltado para adultos, é correto ou a autora cometeu um equívoco?

IVANILDE: Falar “certo” ou “errado” é uma questão antiga no meio educacional. É um assunto que há muito tempo divide educadores e linguistas.

A posição da autora é bastante próxima daquela que tenho como pedagoga e mestre em linguística aplicada ao ensino da língua materna.

Em primeiro lugar gostaria de apontar que a ideia de “certo” e  “errado” em termos linguísticos, não existe, pois falar “nóis vai” ou “nóis foi” ou ainda “nós vamos”, “nós fomos” não é uma questão linguística, mas sim, uma questão política!

Quem vai (seja no singular ou plural), vai do mesmo jeito! E anuncia claramente  isso, seja falando o “certo” ou o “errado”, ou seja, em termos de comunicação, fica tudo entendido.

O problema que vejo aí é a questão do poder. Quem pode mais numa sociedade capitalista é quem detém o “capital” linguístico de prestígio (a norma culta) e quem pode menos é quem não detém o mesmo “capital”.

Nesse caso, penso que a escola precisa parar de camuflar as coisas e falar abertamente com os alunos do EJA, pois são adolescentes e adultos, tendo nesse caso, uma visão de mundo praticamente definida.

Os adultos são pessoas amadurecidas (psicológica, jurídica e biologicamente), merecendo nesse caso, um tratamento respeitoso e honesto, transparente. Por isso, penso que a hipocrisia nesse contexto não deve prevalecer (refiro-me à postura sempre presente na escola de tentar criar eufemismos para encobrir as verdades).

Penso que a escola contemporânea precisa ser mais autêntica e menos hipócrita! É preciso ter CORAGEM para assumir certas coisas e falar abertamente com os alunos de hoje, que são muito “antenados”, pragmáticos e realistas.

Essa história de dizer que é perigoso ensinar mostrando o “errado” porque reforça o erro, é um equívoco, porque se assim fosse,  então porque a maioria dos alunos não aprende o “certo”? Principalmente os excluídos da escola no tempo regular (os jovens e adultos). Não podemos nos esquecer de que essas pessoas foram “expulsas” de maneira cruel e dissimulada, pelo mesmo sistema escolar que hoje as “convida” para voltar e lhes apresenta materiais alternativos como esse que causou tanta polêmica!

Nesse caso, há de se louvar a atitude corajosa das autoras do material didático “viver e aprender”.

REVISTA : Considerar as variações lingüísticas significa dizer que não existe mais o certo ou o errado?

IVANILDE: Penso que não existe o certo e o errado; existe o ético!

 Nesse caso, vejo que não existe forma mais cruel e declarada de preconceito cultural do que deixar cidadãos (alunos) estacionados no porto da ignorância (aqui no caso, sem o domínio do conhecimento da língua portuguesa escrita e falada (padrão e culta).

Considerar as variações linguísticas é uma questão política, ética e humana; nesse caso, pergunto: o que é “certo” e o que é “errado”?

REVISTA: Nos exames que avaliam o domínio da língua portuguesa, o Brasil não tem alcançado resultados satisfatórios. Isso mostra que é necessário rever a forma de ensinar a língua portuguesa?

IVANILDE: Urge revermos a prática de ensino da língua portuguesa em nossas escolas. Como diz Délia Lerner, uma importante pesquisadora educacional, “ler e escrever é tirar carta de cidadania”. A escola brasileira, infelizmente, vem há tempos, deixando de cumprir esse papel. É preciso, com urgência, rever a formas de ensinar a língua portuguesa,  e mais do que isso, é preciso repensar e reorganizar a formação de nossos professores, pois grande parte dos cursos de graduação não dá conta dessa demanda de maneira satisfatória.

REVISTA: Existe uma maneira mais adequada para o ensino da língua portuguesa?

IVANILDE: Penso que sim. Leitura e escrita têm função social. É preciso que esse ensino esteja constantemente atrelado à vida prática, ou seja, funcional, pois na sociedade lemos e escrevemos nos mais variados contextos. O aluno precisa saber desde muito cedo que não escreve para o professor, mas sim para um leitor, que pode ser real ou virtual, que escreve para a prática da cidadania e não para fazer trabalhos escolares. A escola precisa trazer o mundo para dentro dela e nesse caso, a língua portuguesa é um importante veículo.

REVISTA:  Os atuais professores estão prontos para abordar as variações linguísticas?

IVANILDE: Não, não estão. Isso é questão de tempo e formação (inicial e continuada).  Essa história está apenas no começo.

Voz sublime

FRACASSO ESCOLAR: DE QUEM É A “CULPA”?

Ivanilde Moreira

A temática do fracasso escolar ocupa atualmente as preocupações dos órgãos oficiais, dos especialistas em educação, das famílias e de vários segmentos da sociedade. Há tempos que políticas públicas e reformulações pedagógicas vêm sendo implantadas com o intuito de “solucionar” esse grave problema social.

De acordo com indicadores nacionais recentes, das crianças em idade escolar, 3,6% ainda não estão matriculadas. Entre aquelas que estão na escola, 21,7% estão repetindo a mesma série, apenas 51% concluirão o Ensino Fundamental, fazendo-o em 10,2 anos em média. Além disso, em torno de 2,8 milhões de crianças de sete a 14 anos estão trabalhando e cerca de 800 mil dessas crianças estão envolvidas em formas degradantes de trabalho, inclusive a prostituição infantil. Ainda de acordo com pesquisas feitas pelos órgãos competentes, o aluno brasileiro (tanto o da escola pública quanto o da escola particular), é um dos piores do mundo em desempenho escolar, sendo que as fragilidades de sua formação estão nas áreas de raciocínio lógico-matemático, leitura/escrita e geometria.

As manchetes dos jornais  não param de escancarar essa dura realidade:

“Quase metade dos alunos brasileiros de 15 anos não atinge nível básico de leitura no Pisa” (UOL, 9/12/2010 – 10h01)

Ao refletirmos sobre esses dados tão desastrosos, uma pergunta emerge, de forma inevitável: “De quem é a culpa”? Fica fácil apontar “culpados” e cair na tentação de elaborar respostas superficiais e simplistas para um problema tão complexo e multifacetado, por isto, é necessário que a questão seja analisada sobre uma ótica transdisciplinar  e complexa. No lugar da palavra “culpa”, portanto, seria mais prudente, adotarmos a palavra “responsabilidade”. Todos temos responsabilidades sobre o problema do fracasso escolar: o estado. a família, a escola, os educadores e a própria sociedade, de maneira geral.

O Estado, por não administrar de maneira mais eficiente e menos corrupta, os recursos financeiros destinados à educação e por impor “novidades” pedagógicas de maneia autoritária e desastrosa sobre os educadores e às escolas.

A família, por não compreender exatamente o seu papel de provedora e autoridade na vida dos filhos; por delegar às escolas e aos seus profissionais, funções que não são deles e sim suas; a escola ensina, a família educa. São papéis e funções distintas, mas que infelizmente nem sempre ficam claras para os pais.

Além de transferir suas responsabilidades para os agentes escolares (e muitas vezes, paradoxalmente, não aceitar as suas intervenções e encaminhamentos) a família ainda se entrega quase que totalmente aos caprichos e desejos dos filhos, pois teme perder seu amor e estima, fazendo nesse caso, um jogo de “amizade”  problemático com crianças e adolescentes, delegando muitas vezes a eles, a responsabilidade por sua própria formação moral e intelectual.

Os educadores, por desatualizarem-se intelectualmente e envelhecerem suas cabeças de forma veloz  e cruel, ainda não perceberam que o mundo mudou e que a escola que os formou é uma roupa velha e desajustada, que não serve mais para ninguém.

Faltam leituras, estudos, autonomia intelectual e a presença de uma ação pedagógica cotidiana mais reflexiva (científica) e ética.

É necessário que se tenha a compreensão de que as “ferramentas” necessárias para enfrentar o fracasso escolar, não virão dos “deuses astronautas”, mas sim de homens concretos (governantes, professores e pais), que na condição de líderes e educadores, serão os grandes protagonistas da transformação social.

Fracasso ou sucesso é resultado de escolhas. É mister que o estado, a família e os agentes escolares, reflitam sistematicamente sobre a favor de quem e contra quem estão, uma vez que suas escolhas andam comprometendo sobremaneira o destino de muitas crianças e jovens por esse país afora, e consequentemente, pondo em risco a possibilidade de um futuro mas promissor para a sociedade brasileira.

Soldado do exército espanhol resgata criança soterrada após 36 horas em escombros no Haiti (UOL – 15/01/2010)

IVANILDE MOREIRA

Nos últimos dias temos vivido momentos de muita comoção devido aos desdobramentos do terremoto que arrasou o Haiti no dia 12 de janeiro. Em períodos tristes e chocantes como esses, nossa sensibilidade aflora e junto com ela, precisamos deixar aflorar também a capacidade de análise crítica sobre as informações que recebemos da imprensa a todo momento. Surgem questões de toda natureza, desde as humanitárias até as políticas. Assistimos nesses momentos as investidas de governos, sociedade civil, instituições, enfim, parece que todo mundo “sai da toca” e resolve se manifestar. Não poderia mesmo ser diferente em função do tamanho da tragédia que se abateu sobre as cabeças dos haitianos e por extensão a muitas famílias de outras partes do mundo, como os militares, os políticos, os estudantes, os militantes religiosos que de alguma maneira estavam ou estiveram no país por ocasião do cataclisma. Em meio a todas essas ocorrências, sempre algo chama mais a nossa atenção, pois são tantas cenas, tantos personagens reais, inúmeras situações que relutamos em acreditar que de fato aquilo aconteceu. Em que pesem a tristeza e a melancolia decorrentes de tanto sofrimento humano, uma coisa me “alegra” em meio a tudo isso: saber que a palavra SOLIDARIEDADE ganha a notoriedade social que tanto merece e precisa. Há tempos não via esse substantivo aparecer com tanta insistência no discurso cotidiano de pessoas comuns e nos diferentes meios de comunicação. E ela aparece sobre as mais variadas formas, desde as mais equivocadas até as mais consistentes. Fico aqui imaginando qual seria o conceito, a ideia que as pessoas fazem da palavra SOLIDARIEDADE. Leio e releio os mais diferentes discursos em que ela está presente e reflito sobre as concepções a ela subjacentes nas interpretações e pensamentos das pessoas que a pronunciam. Apesar de ainda dispormos de poucos estudos acadêmicos sobre essa palavra tão atual, já é possível uma definição um pouco mais “científica” (ainda que embrionária). Podemos dizer nesses termos que solidariedade pode ser definida como ajuda desinteressada. Hugo Asmman e Jung Mo Sung, ambos teólogos contemporâneos, em sua obra “sensibilidade e competência solidária”, após fazerem um verdadeiro inventário das ocorrências dessa palavra em vários segmentos sociais (políticos, religiosos, institucionais, enfim), levam-nos à “definição” indicada acima. Diante disso, considerando essa definição como portadora de um valor de verdade significativo e olhando para as mais variadas manifestações mundiais nesse momento de tragédia haitiana, fico aqui a me perguntar quais delas poderiam ser de fato consideradas solidárias, isto é, desinteressadas. O que é ser solidário? Eis uma boa pergunta! Jung Mo Sung, num dos tantos escritos sobre o tema da solidariedade, afirma que “é no encontro face a face com o outro que se experiencia o mistério da gratuidade e que experiências marcantes como a da graça são fundamentais para dar sentido e alegria às nossas vidas”. Refletir sobre esse posicionamento do autor e olhar para a imagem da criança haitiana resgatada dos escombros, por um momento faz com que todos os questionamentos aqui levantados percam o sentido. O que fica é a imagem da beleza, leveza e transcendência advindas da expressão do soldado que, com alegria e satisfação, ampara a criança por ele resgatada, mostrando-nos (sem ter essa cosnciência e intenção) o quanto é maravilhoso experienciar os mistérios da gratuidade (graça). Em suma, a despeito do horror que ainda possamos ver daqui em diante enquanto durar o drama do povo haitiano (e obviamente o interesse da mídia sobre o assunto), que essa imagem possa nos sensibilizar sobre as dores do outro e nos mostrar o quanto ainda precisamos aprender sobre a solidariedade (em termos teóricos e práticos).

SOLIDARIEDADE

IVANILDE MOREIRA

Depois de cinco meses sem aparecer, e após um período de intenso trabalho, volto aqui para, mais uma vez, tratar de coisas tristes.

Ocorre que dois fatos de hoje mexeram muito comigo e eu senti uma vontade enorme de compartilhá-los.

Confesso que compartilhar sentimentos com pessoas na internet, para mim ainda é uma ação um pouco estranha e parece até unilateral, mas mesmo assim, acho interessante que aqui, nesse espaço virtual, a partilha é  diferente, leve e prazerosa e, ainda que a conversa no momento seja solitária ou unilateral, me sinto muito melhor depois que escrevo, pensando na possibilidade de outros conhecerem um pouco daquilo que  penso.

No final do ano escrevi um artigo (que talvez se torne meu projeto de doutorado) que seria publicado em janeiro na revista DIRECIONAL EDUCADOR.

O artigo é sobre SOLIDARIEDADE e hoje, esse assunto é particularmente especial para nós brasileiros e para o mundo, devido aos acontecimentos do Haiti. Ontem aconteceu de perdermos uma grande brasileira: a Sra Zilda Arns.

Todos nós sabemos do quanto essa mulher se dedicou aos pobres e desvalidos, principalmente à infância marginalizada do nosso país e de alguns outros.

Estava eu aqui absorta em tais pensamentos quando comecei a receber alguns e-mails e telefonemas me parabenizando sobre a publicação do meu artigo. Eu o havia enviado para a jornalista responsável e sabia que ele seria publicado agora em janeiro, mas não tinha ideia de que ele já havia sido publicado no início da outra semana

Olha só o que é vida, não? Por um lado, a melancolia pelos últimos acontecimentos, e por outro, a surpresa e a alegria por receber cumprimentos sobre meu artigo. A alegria maior por ser exatamente sobre esse assunto, tão distante de tantos humanos que é o espírito da solidariedade; e num dia, em que os holofotes do mundo inteiro são virados para a tragédia do Haiti. Tragédia que não leva apenas milhares de irmãos, mas uma irmã muito especial  como a Sra Zilda Arns.

Zilda e Solidariedade,  para mim, sempre foram sinônimos e espero que a partir de hoje, o mundo possa prestar mais atenção em substantivos tão sublimes como esses.

Mais do que isso, torço para que a educação brasileira e seus agentes, despertem para a necessidade de inserir exemplos como esses nos seus currículos oficiais.

IVANILDE MOREIRA

“As crianças começam por amar os seus pais; quando crescem, julgam-nos; algumas vezes, perdoam-lhes”

(Oscar Wilde)

  A palavra “morte” é sempre assustadora para nós humanos, pois significa no nosso imaginário, o FIM.

Toda vez que somos informados da morte de alguém conhecido, ficamos abalados e muitas perguntas surgem nas nossas cabeças: Por que existe a morte? Qual o sentido da vida? Para que tudo isso? Aonde iremos parar?

Nesses momentos sentimo-nos impotentes; ficamos inertes, abismados, pois sabemos que nada podemos diante da morte.

E não há como deixar de observar que o sentido de impotência nos remete, por razões muito mais óbvias do que meramente linguísticas, à ideia de “poder”.

Somos seres políticos; isso significa, entre tantas outras coisas, que somos gregários, coletivos, ou seja, vivemos COM  e PARA o outro.

Nesse sentido, por vivermos com outros humanos, disputamos constantemente o poder, sendo que a luta por ele é inerente à nossa espécie, levando-nos amiúde à sua conquista, manutenção e perpetuação; e é exatamente no aspecto da “perpetuação” que esbarra o problema da morte, pois com ele tomamos consciência do quanto somos seres frágeis; temos a ilusão de que tudo podemos, quando de fato, nada podemos.

Desde a antiguidade até os nossos dias, inúmeros são os exemplos que demonstram a sede de poder do ser humano. Os romanos, por exemplo, eram ávidos por conquistar e perpetuar o poder; quem é que não se lembra da famosa lição escolar  “a expansão do império romano”?

No período medieval, as cruzadas ou “guerra santa” não deixaram dúvidas sobre a fome de poder que tanto perturba o ser humano, não sendo necessário aqui um maior prolongamento sobre o assunto.

Na idade moderna, vários são os nomes e fatos históricos que poderíamos enumerar para reforçar essa ideia, basta lembrarmos o episódio da revolução francesa, que mudou definitivamente o mundo.

Contemporaneamente as coisas não são diferentes. Não podemos deixar de considerar “esquisitices” e coisas bizarras que são mostradas cotidianamente nesse cenário veloz, multidisciplinar e complexo, denominado de “pós-moderno” pelo sociólogo Zygmunt Bauman.

O homem contemporâneo, pós-moderno, é muito chegado na necessidade de aparecer, de ser diferente e impressionante. É preciso estar em evidência a qualquer preço, pois se isso não acontece, pode ser vergonhoso. Ser anônimo é ser nada! Para conquistar, manter e perpetuar o poder nesse contexto muitos acreditam que é preciso entrar e permanecer em cena, custe o que custar!

Nesse cenário, diariamente, somos seduzidos por “celebridades” que, de maneira muitas vezes meteórica, surgem e desaparecem com a velocidade da luz, ou ainda por outras que aparecem e ficam, permanecendo por muito tempo na memória das pessoas, pois marcam época e delimitam eras.

 Foi nesse contexto, de cometas e estrelas, que recentemente recebemos a notícia da morte de Michael Jackson, o “Rei do Pop”.

            O mundo parou, a mídia “ferveu”, a agitação tomou conta dos mais variados meios de comunicação e rapidamente, em meio a muitas especulações que sempre cercaram a vida desse artista, surgiram dois times:  o daqueles que gostam e o dos que não gostam de Michael Jackson, fundindo-se nesse caso, o autor e sua obra.

            É fato recorrente na história da humanidade a ausência de “coincidência virtuosa” entre a pessoa do autor e a relevância da sua obra, pois infelizmente, há muito juízo de valor negativo emitido sobre o autor que acaba ofuscando muitas vezes a grandeza dos seus feitos.

            Nesse sentido, gostar ou não gostar de Michel Jackson não tira o mérito que esse homem teve, tem e terá para a arte, pois há consenso geral de que a partir de 25 de junho de 2009 (data da sua morte), ele entrou, definitivamente, para a história da música.

            Entre todos os fatos e circunstâncias que cercam o misterioso cantor, o que me chama mais a atenção, é o conjunto de palavras adulto, Neverland e Peter Pan.  E é exatamente aí que vejo a grande problemática que cerca a figura já mitológica e legendária de Michael Jackson.

            É do conhecimento de muitos, o fato de que o cantor tinha uma propriedade rural com o nome Neverland (terra do nunca), assim como é do conhecimento de alguns (nem todos, infelizmente) que  Neverland é a terra do Peter Pan, o menino que não queria crescer, personagem do escritor escocês James Barrie,  imortalizado por Walt Disney em um de seus filmes em 1953.

            A vida pessoal de Michael Jackson tornou-se pública depois dele tornar-se uma grande estrela da música. No cenário dessa história complexa e problemática, conhecemos a figura nada simpática de Joseph Jackson, seu pai, um músico frustrado que projetou nos filhos o sucesso que não obtivera na carreira artística.

            De acordo com informações jornalísticas, os irmãos Jackson tiveram sua infância saqueada pelo pai, Joseph Jackson, que os obrigava ainda crianças, a uma carga horária absurda de treinamentos e ensaios diários, sendo que Michael foi um dos mais sacrificados, pois tinha apenas cinco anos de idade quando começou a ser preparado para o mundo artístico.

            Sr Jackson é uma figura que ganha um relevo muito grande nessa intrigante história e chego a pensar se, simbolicamente, não seria ele, o terrível capitão Gancho nas fantasias de Michael Jackson, à semelhança do personagem Peter Pan.

            O que teria levado o cantor a adotar em suas apresentações, depois de seguir carreira solo, trajes  parecidos com o uniforme MILITAR?

            Capitão. Militar. Autoritarismo. Austeridade. Conjunto léxico com muita similaridade semântica e aproximada da ideia de PODER!

            O infante Michael Jackson foi submetido ao poder e rigor do pai, o que o forçou a se comportar no mundo artístico como alguém que não podia errar, pois erro não combina com poder!  Daí o perfeccionismo que muito sabemos, perseguiu toda a carreira do menino Michael Jackson, fato que contribuiu para torná-lo  o “Rei do Pop”!

            Da infância humilde e pobre à vida adulta célebre, excêntrica e milionária, Michael Jackson se desenvolveu como um ser humano de poder. O dinheiro deu-lhe a possibilidade imaginária de ter tudo o que pensava e desejava, inclusive a “compra” de três filhos, a branquitude epidérmica, a eterna juventude e o prolongamento da infância!

            É impressionante como tudo o que cerca Michael Jackson, lembra a infância, o surreal, o nonsense. O menino que não queria crescer negava visivelmente o universo adulto.

            Suspeito que isso se deva ao fato do artista saber que tal universo é fonte constante de desprazer e frustrações. O mundo adulto é, por natureza, austero, chato, entediante, opressor, pois é o mundo da responsabilidade. É o mundo no qual as futuras gerações são forjadas. Aí estaria o grande paradoxo vivido pelo artista: para a perpetuação do poder, sabia que precisava entrar nas ondas do futuro, mas para adentrá-las teria de encarar a realidade e viver frustrações.

            Penso que era esse mundo que o cantor não queria assumir, pois fora vítima dele, sabendo conscientemente que aderir a ele, seria render-se ao princípio da realidade, coisa que, ao que tudo indica, Michael Jackson tinha uma incrível dificuldade de aceitar!

            Mas, será que poderia ser diferente para uma criança que não pôde ser criança? Um menino que não pôde brincar, correr, soltar pipas, ouvir historinhas, cantar canções inocentes no colégio, comer pipoca, ir ao circo, pular corda, subir em árvores, ir ao cinema, visitar os avós nas férias, coisas tão recorrentes na vida de uma criança normal?

            Outro paradoxo que ronda a figura emblemática desse mito da música pop é, de um lado, a exaltação da infância (sua pureza e inocência) e do outro, o crime de pedofilia (repugnante e sórdido). Como esquecer seu grito de desespero pela infância faminta da África em We are the world, canção que ele compôs com Lionel Ritchie?  Por outro lado, como não se incomodar com aquele sorriso meigo, doce e terno do suposto adulto pedófilo Michael Jackson, tantas vezes mostrado pela mídia?

            São muitas perguntas e poucas respostas, mas é difícil de acreditar que o “Rei do Pop” tenha se comportado de forma deliberada com o intuito declarado de  ferir as crianças que tanto o admiravam e que ele por reciprocidade, também idolatrava.

            Ao pensar em tudo isso, torna-se inevitável não se emocionar com o conteúdo textual de Thriler, que muito além da coreografia impecável e musicalidade original, expõe o mundo nebuloso, fantasmagórico e assustador inerente ao imaginário infantil e que tanto assombrou o cantor durante toda a sua vida.  

 

“É quase meia-noite
E algo malígno está te espreitando no escuro
Sob a luz da lua
Você tem uma visão que quase pára o seu coração
Você tenta gritar
Mas o terror toma o som antes de você fazê-lo
Você começa a congelar
Enquanto o horror te olha bem nos seus olhos
Você está paralizado!”

 

            Um misto de medo, susto, mistério e abandono, à semelhança de Don Giovanni, personagem assustador de uma ópera produzida por Mozart em 1787 (aliás, incrível a semelhança na história de vida desses dois gênios da música, envolvendo  a figura de um pai castrador, um talento indiscutível, uma vida de sucesso, fama, glória, fortuna, decadência, doença, dívida e problemas pessoais).

            Criança, paternidade, vida adulta, presente, passado, futuro…

            Nesse momento, enquanto os olhos do mundo se voltam para a figura do “Rei do Pop”, os mistérios de sua vida, o mérito de sua obra, as circunstâncias de sua morte (ainda pouco esclarecidas), algo muito me preocupa: o futuro das três crianças, filhas do cantor!

            Se a sua infância foi tumultuada, sofrida e entrecortada por cobranças paternas, penso que a vida adulta dos seus filhos também trará reflexos do presente  confuso, complexo, nebuloso e enigmático de  Michael Jackson.

Torço, sinceramente, para que alguém preste muita atenção nisso e encaminhe da melhor maneira possível a saúde mental e afetiva dos três herdeiros de toda essa história atípica, para que esse ciclo vicioso de tragédias pessoais seja interrompido de uma vez por todas!

Como fã assumida de cantor, fico por aqui, guardando comigo a imagem daquele meigo sorriso infantil que tanto encantou o mundo, as cenas coloridas dos Jackson Five e a intrigante imagem do personagem do Thriler, que, ao entrar em cena, sintetizou três décadas de sons e ritmos, imortalizando Michael Jackson nas lembranças de milhões de fãs espalhados pelo planeta, perpetuando assim o poder que ele tanto desejou enquanto viveu!

Para os que como eu, conseguiram conhecer, respeitar e apreciar a obra desse grande artista, fica aqui a minha solidariedade nesse momento de dor e vazio, e o desejo sincero de que Deus acolha Michael Jackson  em seus braços, com todas a honras e pompas que ele merece!

Papel do Professor na Construção do Conhecimento

             O educador, na nova postura, compreende que não é ele que “deposita” o conhecimento na cabeça do educando. Por outro lado, sabe também que não é deixando o educando sozinho que o conhecimento “brotará” de forma espontânea. Quem constrói é o sujeito, mas a partir da relação social, mediada pela realidade. Podemos sintetizar, então, o papel do professor na construção do conhecimento em três vetores: provocar, dispor, interagir.

            – Provocar: colocar o pensamento do educando em movimento, na direção do objeto de estudo; pôr os “neurônios” para funcionar; desequilibrar: desafios, perturbações, dilemas, disrupções criativas; favorecer o pensar do aluno sobre a questão. Propor ações de conhecimento; provocar situações em que os interesses possam emergir e o aluno possa atuar. Fator “entrópico” (agitação do sistema).

            – Dispor objetos/elementos/ situações: dar condições para que o educando tenha acesso a elementos novos, para possibilitar a elaboração de respostas aos problemas suscitados, superar a contradição entre sua representação mental e a realidade. Dar indicações, oferecer subsídios, dispor de elementos para “combustível” (“arte” do professor: elementos adequados, no momento adequado, do jeito adequado). Propiciar a oportunidade de ação. Propor ação. Propor ações que favoreçam a elaboração significativa do conhecimento (vínculo com necessidades do aluno).

            – Interagir com a representação do sujeito: solicitar expressão, acompanhar percurso de construção. Se a capacidade analítica do educando não for muito longe, o professor pode entrar, estabelecendo novas contradições entre a representação sincrética e os elementos do objeto não captados pelo sujeito. Desta forma, o aluno terá condições de “triturar”, trabalhar, processar as informações e aproveitá-las. Ajudar a chegar à elaboração da síntese. ³

            No cotidiano da sala de aula, esta postura metodológica poderá ser articulada com estratégias que tenham coerência com o princípio metodológico, como por exemplo: problematização, pesquisa, oficinas, trabalho em grupo, exposição dialogada, seminário, projeto, experimentação, debate, jogos educativos, dramatização, produção coletiva, estudo do meio, etc.

 cf. C. S. Vasconcellos, Construção do Conhecimento em Sala de Aula, 2002, p. 84.

              

    IVANILDE MOREIRA   

Professor ou gestor de conhecimento, 

Um dos fatores de maior preocupação de dirigentes de ensino superior e coordenadores de curso, é a qualidade da prática docente, pois sabem que ela pode ser a “chave” para a permanência do aluno na escola e conseqüentemente, um diferencial competitivo para as IES.

    Para ser professor universitário no Brasil, a exigência mais importante foi, durante muito tempo, que o candidato possuísse um diploma de curso superior e dominasse razoavelmente a área de conhecimento e os conteúdos que iria ensinar. Essas exigências tornaram-se mais complexas à medida que o século XXI foi se aproximando e, junto com ele, o surgimento de novas competências e habilidades que passaram a constituir o perfil do professor contemporâneo.

   Dentre elas, destacam-se o aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser – aprendizagens fundamentais salientadas por Delors no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI (1999). Essas competências e habilidades estão, primordialmente, vinculadas às esferas: pedagógica, gerencial e técnica.

   Em decorrência dessas transformações, o Mec com sua política de avaliação (antes PROVÃO e agora SINAES), tem imposto às Instituições de Ensino Superior, sistemáticas de avaliação interna e externa. As IES promovem as CPAs  e criam o seu próprio sistema de avaliação, sendo que um dos itens cuidadosamente avaliado é o corpo docente.

   Nesse sentido, torna-se necessário que os docentes busquem formação pedagógica, pois, de acordo com o Prof. Antonio Galdeano,

  (…)É comum a busca e contratação dos melhores profissionais de mercado para a atuação dos mesmos como docentes nas IES. Pude observar diversas experiências muito mal sucedidas, em que tanto o profissional quanto a instituição de ensino voltaram atrás na parceira. Não porque tenha existido qualquer problema entre as partes, mas porque o profissional, simplesmente, não possuía qualificações técnicas para atuar como professor(Revista aprender, nº 06 novembro/dezembro 2006, p.39).  

   Caso esteja preocupado (a) com a qualidade das suas aulas, com a motivação de seus alunos e em certa medida, com o seu bom desempenho profissional diante da instituição, entre em contato, pois tenho uma proposta muito interessante para auxiliá-lo (a) nesse processo.

        Chega de dar aula! Comece a ENSINAR seus alunos!

        “ Pare de trabalhar pela SATISFAÇÃO  das pessoas e comece a trabalhar pelo SUCESSO delas. As próximas gerações agradecem”!  (R. Jordão)

IVANILDE MOREIRA

Tenho proposto em meus cursos de didática para professores universitários, a metodologia da aula dialética desenvolvida por Celso Vasconcelos em sua obra “A construção do conhecimento em sala de aula”.

Essa obra, de relevância indiscutível e grandeza ímpar, muito nos auxilia na superação das aulas monótonas que muitas vezes teimamos em desenvolver no contexto do ensino superior.

O Prof Vasconcellos, apoioado em Hegel e Saviani, nos explica no referido livro como se caracteriza a aula dialética, acreditando nela como possibilidade de quebra e superação dos modelos pedagógicos/andragógicos cristalizados em nossa prática docente.

Com a finalidade de  contribuir para um aprofundamento científico da metodologia dialética e com a inovação na sala de aula do ensino superior, coloquei no link das PÁGINAS, um texto sobre Hegel e o idealismo lógico.

BIBLIOGRAFIA:

Vasconcellos, C.F A construção do conhecimento em sala de aula. SP, Libertad, 2002

www.mundodosfilósofos.com.br

JOSÉ LUIZ DE PAIVA BELLO

No processo ensino-aprendizagem, em qualquer contexto em que se esteja inserido, é necessário que se conheça as categorias que integram este processo como elementos fundamentais para um melhor aproveitamento da aprendizagem. A pedagogia, enquanto ciência específica da educação, vem, cada vez mais, perdendo sua dimensão de ciência e sua importância nos procedimentos de sala de aula. Hoje, qualquer corrente da ciência propõe-se a emitir opiniões sobre questões específicas da prática pedagógica. No processo de facilitação da aquisição do conhecimento é básico o manejo adequado da forma e/ou dos procedimentos utilizados na transformação do saber. É necessário ter clareza sobre o contexto teórico do qual partimos, já que, no mundo moderno, os educadores, de uma forma geral, vêm brincando com o processo ensino-aprendizagem, usando técnicas de forma errada ou mal compreendidas. Assim, um professor de matemática, que teve toda sua formação voltada para a ciência matemática, coloca-se na posição de profundo conhecedor de técnicas de transmissão de conhecimentos, sem se preocupar com a verdadeira função de fazer com que os alunos aprendam. Citamos a matemática como exemplo, mas outros campos da ciência poderiam servir como modelo. Pode ser que quem esteja lendo este texto há de dizer: ” – Mas o professor de matemática, assim como os professores de todas as matérias, devem ter tido a matéria de Didática no seu curso de licenciatura.” É verdade. Só que acreditamos que o curso ministrado a eles, é exercido por um professor de Didática que, ele mesmo, não se preocupa com ela na sala de aula, no momento de transmissão de conhecimentos. Para sustentar tal afirmação convocamos os alunos e ex-alunos da matéria de Didática para testemunharem sobre a qualidade da maioria destas aulas. E a realidade nos mostra que, para piorar a situação, normalmente são os piores professores. São aqueles que estão começando a lecionar. Como se a Didática fosse uma matéria menor. Ou seja, uma matéria para principiantes da profissão de professor na área de Educação. Historicamente o professor, como detentor de um inegável poder, aprendeu a responsabilizar seus alunos pelo fracasso do processo de ensino/aprendizagem. Nesta condição, quando o aluno não aprende, a culpa é sempre do aluno, nunca do professor que é sábio e autoridade na matéria lecionada. Nós, educadores de uma forma geral, aceitamos a idéia de que a responsabilidade da aprendizagem da turma nunca é do professor. Se um grupo de alunos não obtém rendimento satisfatório é porque são relapsos e não estudaram o suficiente para serem aprovados. Existem casos em que a metade da turma é reprovada e isso é encarado com toda a naturalidade pela comunidade escolar. Quando muito, dizem que o professor que reprova muitos alunos é “durão”. Alguns professores sentem-se, inclusive, orgulhosos desta condição. Neste sentido, não é mais o professor que detém a responsabilidade profissional de fazer com que o aluno, objeto de seu trabalho, aprenda. Ao contrário, é o aluno que passa a ter a responsabilidade de aprender. Resumindo: se o aluno aprende, isto se deve, de fato, a competência do professor; se o aluno não aprende, o professor continua atestando sua competência, porque ele ensinou mas os alunos não aprenderam. Isto perspassa pela consciência dos professores, de uma maneira geral. O espírito de corpo do professorado não permite sequer pensar de maneira diferente. Não conseguimos perceber nem mesmo que esta é nossa fundamental tarefa profissional. Ou seja, fazer com que os alunos aprendam. O trabalho do educador consiste em transmitir conhecimentos de maneira eficaz, assim como o médico tem por tarefa resolver o problema de saúde de seu cliente. A profissão de educador, neste sentido, perde totalmente sua seriedade e responsabilidade profissional. O professor não se apercebe da responsabilidade pelo resultado de seu trabalho, enquanto em outras profissões ela é absoluta e não se pode pensar de maneira diferente. No caso da medicina, o médico não pode sequer admitir o erro de diagnóstico. O de tratamento, então, nem pensar. Na engenharia a dimensão da responsabilidade é a mesma. Já imaginaram um engenheiro projetar sem pensar nos resultados de seu trabalho? Lembrem do resultado de uma ação irresponsável de um engenheiro no caso dos edifícios Palace I e II, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. E assim é para o arquiteto, para o advogado, para o químico, para o farmacêutico, para o dentista, para o pintor de paredes, para o motorista do ônibus, para a empregada doméstica, para o datilógrafo, para o …, mas não é para o professor. Para este, o sentimento predominante é uma espécie de aprendeu, aprendeu; não aprendeu… azar. A educação talvez seja a única atividade profissional em que o trabalhador pode não se preocupar com a responsabilidade pelo resultado de seu trabalho. A educação talvez seja a única atividade profissional em que o trabalhador pode não se preocupar com a responsabilidade pelo resultado de seu trabalho. No caso da educação, isto é um problema a mais para o usuário (aluno!). Ou seja, os usuários (alunos) de uma técnica específica, exercida por profissionais (professores) que deveriam ter se preparado para executá-la, são exatamente os responsabilizados pelo fracasso dela. Enfatizamos apenas que, mesmo que isto não seja percebido pela maioria dos professores, a responsabilidade pedagógica é intrínseca a dinâmica da profissão. Voltando ao exemplo da medicina, é como se o paciente, que morresse por um erro do médico, fosse o culpado pela sua própria morte; não colaborou com a técnica empregada pelo médico e, por pura pirraça, morreu. Na educação a “morte” se dá pela má formação recebida e a utilização equivocada das técnicas aprendidas. E no caso da educação a culpa da “morte” é sempre do paciente (aliás, esse termo paciente também deveria ser usado para os alunos, porque, na maioria das vezes … haja paciência!). Existe na profissão de educador uma espécie de preguiça profissional, em que não há interesse de se efetivar um esforço para se superar as reais dificuldades enfrentadas no processo educativo. Assim, as desculpas são inúmeras: a principal é de que os alunos não se interessam em aprender, por mais que os professores tentem; depois vem a questão salarial; a terrível filosofia do ganha pouco, produz pouco; a falta de investimento em materiais didáticos pela instituição costuma servir de desculpa também; tem ainda a justificativa da quantidade exagerada de alunos; a falta de dinheiro para comprar livros e fazer cursos de aperfeiçoamento; diretor autoritário que impõe regras inexeqüíveis; colegas que prepararam mal seus alunos nas turmas anteriores; etc.; etc. e etc.. É preciso que se estipulem pesquisas que tentem analisar o desempenho dos professores em sala de aula. Ou seja, esclarecer a eficácia do exercício profissional de uma determinada categoria. Trata-se de saber se o trabalho exercido pelos professores vem atingindo seu objetivo de provocar mudança no saber do aluno e se esse saber é utilizado na vida prática de cada um. Li, não me lembro onde, uma fábula que dizia, mais ou menos, isso: “Era uma vez uma tribo pré-histórica que se alimentava de carne de tigres de dentes de sabre. A educação nesta tribo baseava-se em ensinar a caçar tigres de dentes de sabre, porque disto dependia a sobrevivência de todos. Os mais velhos eram os responsáveis pela tarefa educativa. Passado algum tempo os tigres de dentes de sabre extinguiram-se. Criou-se um impasse: o apego à tradição dos mais velhos exigia que se continuasse a ensinar a caçar tigres de dentes de sabre; os mais jovens clamavam por uma reforma no ensino. O impasse perdurou por muito tempo. Mais precisamente até um dia que, por falta de alimento, a tribo extinguiu-se também.” Esta fábula vem bem a calhar com o nosso processo de educação.

 Disponível em www.pedagogiaemfoco.pro.br/filos02.htm

 

IVANILDE MOREIRA

Os tristes números da educação brasileira escancaram uma realidade muito perversa.
Entre as inúmeras variáveis contempladas nessa matemática desastrosa, uma me chama mais a atenção: a alienação imposta às nossas crianças e jovens.
Tal processo alienante recebe uma grande “contribuição” da televisão brasileira, que através dos monólogos que produz, não dá àquele que a assiste, possibilidade de contestação.
Dessa forma, o produto final é um sujeito acrítico, de personalidade passiva.
Não tenho nada contra a televisão (imagina se eu tivesse!); seria ingenuidade minha fechar os olhos para este veículo de comunicação e acreditar que sobreviveria sem a sua influência.
O que ocorre, no entanto, é que assisto à programação com olhos de diálogo, sempre procurando analisar o que vejo e questionar aquilo que não concordo.
Numa canção interessante, Gabriel O Pensador afirma que a programação existe para manter o sujeito sentado em frente à TV sem que ele perceba que o programado é ele mesmo.
Creio que o caminho seja este quando se trata da educação de nossos jovens e crianças: quebrar o monólogo e instalar o diálogo!
Canções como a do Gabriel O Pensador poderiam ser trazidas para as salas de aula para que através da linguagem de um cantor jovem, nossas crianças e jovens pudessem aprender a pensar sobre o que veem e escutam
Na realidade, crianças e jovens ficam expostos à Tv, recebendo “verdades empacotadas” pela mídia e ninguém ou quase ninguém abre caminhos para uma conversa em que seja possível o questionamento dessas.
Vejamos o caso do “Big Brother”.
O problema já começa no título. Por que escrevê-lo em língua inglesa se no Brasil falamos a língua portuguesa? Só a partir deste titulo abrem-se inúmeras possibilidades de diálogo com o filho ou o aluno.
Além disso, a pessoa que se submete às regras do referido programa está ensinando às nossas crianças e jovens que valores como amizade não interessam mais aos homens.
Analisemos por exemplo, a cena em que um dos participantes deve sentar-se na cadeira e dizer “gosto muito do fulano, mas vou mandá-lo para o paredão.” Como alguém pode gostar de uma pessoa e prejudicá-la por dinheiro?
Enfim, tudo isso deve ser questionado.
O mesmo deve acontecer com os textos de músicas atuais, de conteúdo leviano. Além de questionar o conteúdo imbecil, o adulto deve possibilitar às crianças e jovens, outros textos de melhor qualidade para que através de análises e comparações, eles sejam capazes de selecionar o que interessa e descartar os lixos que nada acrescentam à sua vida emocional, social e intelectual.
Ensinar a pensar e a não acreditar em tudo o que vê e ouve: penso que essa é uma estratégia Interessante para ser utilizada por aqueles que ainda acreditam no poder transformador da educação.
É muita covardia do adulto deixar crianças e jovens à mercê da própria sorte, abandonando-os e entregando-os facilmente para os lobos do mercado.
Se quisermos mudar o país e reverter os números da triste matemática demonstrada pelas estatísticas nacionais, é preciso começar o processo de mudança pela formação dos homens do futuro e isso somente a educação pode fazer.
Abaixo o monólogo. Viva o diálogo!

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